A Astra e o grupo PRÓ-VIDA de Maceió realizaram, de 11 a 14 de dezembro, uma nova capacitação do projeto Tulipa, na cidade de Aracaju, Sergipe. A capacitação reuniu 39 travestis e transexuais dos nove estados da região nordeste. O objetivo desse treinamento é capacitar futuras lideranças para o protagonismo na prevenção das DST e AIDS e na garantia dos diretos humanos. Foram discutidos temas como gênero e sexualidade, mobilização comunitária, advocacy e trabalho em redes, além da avaliação das atividades desenvolvidas em um ano do projeto.
A grande novidade deste ano de 2007 foi o material educativo, como folder, cartaz e cartilha, que foi elaborado com objetivo de atingir a todas camadas a serem acessadas pelo centro Tulipa no nordeste. O folder contendo informações sobre o Tulipa nacional e regional tem como objetivo atingir organizações governamentais e gestores públicos, explicando sucintamente o que queremos e para que existe o centro. Já a cartilha, com linguagem e informações que permeiam o mundo das travestis e transexuais, vem para orientar, esclarecer e tirar dúvidas sobre assuntos pouco discutidos e que muitas das vezes não chegam até nossa comunidade. Todo o material foi elaborado com acompanhamento de profissionais de comunicação voluntários.
O nome do projeto Tulipa (Travestis Unidas Lutando Incansavelmente pela Prevenção da Aids) é uma homenagem à travesti Adriana Tulipa, de Santo André, São Paulo, que dirigia uma organização com o mesmo nome. Adriana Tulipa faleceu em 1997 e foi uma das travestis pioneiras na luta contra a Aids no Brasil. O projeto, que tem apoio do Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de DST e AIDS, pretende identificar e fortalecer as lideranças de travestis e transexuais, capacitando-as para o trabalho em prevenção do HIV e garantia dos direitos humanos. O projeto está organizado em cinco centros regionais e uma coordenação nacional, sob a responsabilidade da ANTRA (Articulação Nacional de Transgêneros), atualmente sediada em Salvador.
Além das capacitações programadas, o projeto também prevê a realização de articulação das lideranças para trabalho em rede, estabelecimento de parcerias com outras redes de organizações sociais e com secretarias municipais e estaduais de saúde e direitos humanos.
Na foto: militantes trans da região Nordeste assistem à palestra |